Língua Brasileira de
Sinais-Libras
Componente Curricular
Língua Brasileira de
Sinais-Libras
1.1 Terminologias e mitos
A expressão deficiência auditiva é largamente
usada na área da saúde e reflete uma visão
médico-organicista, ou seja, voltada ao
diagnóstico da deficiência auditiva, da etiologia da
deficiência (causas) e da detecção do grau e tipo
de perda, com o objetivo de ofertar tratamento
específico para o quadro apresentado. Na relação
entre médico e paciente surdo, são considerados
fatores que podem auxiliar no bom funcionamento
do aparelho auditivo para que não haja
consequências no desenvolvimento da linguagem
oral (fala).
Nesse enfoque médico, o olhar lançado para a criança
está voltado à sua orelha defeituosa, buscando-se
referências clínicas da medicina para discutir
diagnóstico, avaliação e tratamento, sem ser feita alusão
a outros fatores e variáveis relacionados ao
desenvolvimento da linguagem, como a Língua
Brasileira de Sinais (Libras), por exemplo. Essa visão
clínico-terapêutica está presente na educação de surdos
por mais de um século, alimentando uma crença
equivocada de que a linguagem corresponde somente à
fala. Como decorrência de tal ponto de vista, acarretou-
se uma interpretação fatalista de que a falta de audição
impediria completamente o desenvolvimento da fala e
que essa privação traria atrasos no desenvolvimento
intelectual das pessoas surdas e em sua integração
Essa noção também justifica a origem de uma
terminologia preconceituosa que circula, muito
frequentemente, na sociedade: surdo-mudo, na
forma pejorativa “mudinho”. A expressão surdo-
mudo está equivocada e não tem fundamento do
ponto de vista científico. Seu uso é considerado
inadequado e preconceituoso, porque revela
desconhecimento sobre um fato: os surdos
podem aprender a falar. Pessoas surdas têm voz,
ou seja, não estão impedidas de produzir sons
com seu aparelho fonador, o qual funciona
perfeitamente.
1.1.2 Mitos sobre os surdos e a surdez
1.2 Concepções sobre os surdos e a surdez: o modelo
clínico-terapêutico e o socioantropológico
A história da surdez (deficiência) e dos surdos
(sujeitos) está marcada por oposições. A maior e
originária de todas elas são a oposição
ouvinte/normal versus surdo/anormal, que justificou
muitas arbitrariedades, como a proibição da língua de
sinais, a imposição da fala como único modo de
comunicação, a negação do contato de adulto surdo
com criança surda nas escolas – isso para falar de
apenas algumas formas de opressão. Muitos fatos
podem não ser de conhecimento geral, já que não
estão narrados em muitos livros de história, então
falaremos um pouco sobre isso.
Os Estudos Surdos no campo dos Estudos
Culturais promovem a ruptura da discussão da
surdez no contexto obrigatório da educação
especial, das deficiências e das patologias de
linguagem (SKLIAR, 1998). O modelo
socioantropológico aproxima a experiência da
surdez de maneira análoga à de outras minorias
étnicas e linguísticas, como pessoas negras, povos
indígenas, minorias linguísticas que sofrem
exclusão cultural e assim por diante. Sintetizamos
as principais oposições entre os dois modelos no
Quadro 2, com base na reflexão de Skliar (1999)
de mudar a ótica do problema invertendo sua
lógica, ou seja, vamos problematizar a
normalidade ouvinte, e não a alteridade surda.
1.3 Aspectos históricos da educação
dos surdos
2. Políticas educacionais para surdos e Língua
Brasileira de Sinais
2.1 Mitos sobre as línguas de sinais
Alejandro Oviedo (1997), linguista e estudioso das línguas de
sinais, explica que todas as línguas têm um nome para designá
-las e diferenciá-las dos variados idiomas falados pelos povos
do mundo. Assim também ocorre com as línguas de sinais, que
são utilizadas pelos povos surdos em distintas regiões do
planeta. Esse é o primeiro argumento que justifica se tratar de
uma língua, e não de uma linguagem universal, que pode ser
gesticulada sem regras internas em qualquer lugar do mundo.
Assim como as línguas orais, as línguas de sinais recebem o
nome do país em que vivem as comunidades surdas, como é o
caso da Língua de Sinais Francesa (LSF), da Língua de Sinais
Venezuelana (LSV), da Língua de Sinais Argentina (LSA) e
assim por diante.
A linguagem gestual está presente na comunicação de
todos os grupos humanos, e não apenas entre
indivíduos surdos. O que ocorre é que as línguas de
sinais têm suas gramáticas estruturadas e sinalizadas
no espaço, por isso são concebidas como línguas de
modalidade visual e podem ser confundidas com
gestos, o que, por sua vez, não se referem ao
complexo sistema linguístico, como a Libras, que
configura, de fato, uma língua. As línguas de sinais
podem representar qualquer fato e não podem ser
reduzidas a um sistema de gestos naturais ou mímica,
que só expressam elementos concretos e
transparentes da comunicação imediata cotidiana.
2.2 Libras na legislação
No Decreto Federal n. 5.626/2005, há uma
distinção conceitual pioneira entre surdez e surdo
que contribui para a compreensão de que a
experiência da surdez tem como consequência
uma forma de comunicação diversa. Como se vê,
os critérios utilizados para a identificação da
pessoa surda são a cultura surda, a experiência
visual e o uso da língua de sinais, o que legitima
as reivindicações do movimento surdo e dos
avanços do campo teórico dos Estudos Surdos.
Para os pesquisadores surdos Perlin e Miranda
(2003, p. 218), o ser surdo é a pessoa que tem
identidade surda.
A oficialização da Lei de Libras trouxe avanços
nesse sentido. Embora o Decreto Federal não
apresente um conceito claro e objetivo da Libras, a
definição esclarece que se trata de um sistema
linguístico com estrutura gramatical própria, ou seja,
um idioma, uma língua natural e autônoma,
totalmente independente da gramática do português
falado. Há uma tendência equivocada entre as
pessoas em julgar que a Libras seja uma
“soletração” seguindo as regras do português.
Veremos adiante um pouco mais sobre essa
gramática visual da Libras
2.2.2 Da inclusão da Libras como
disciplina
O Decreto Federal orienta sobre a inclusão da
Libras como disciplina curricular obrigatória
nos cursos de formação de professores e nos
cursos de licenciatura e como disciplina
optativa nos demais cursos de educação
superior e na educação profissional de
instituições de ensino públicas e privadas,
como atesta o artigo 3º:
2.2.3 Dos profissionais bilíngues
O Decreto Federal n. 5.626/2005 traz
importantes diretrizes à formação dos
profissionais que atuarão na educação de
surdos, diferenciando três atores principais: o
professor de Libras, o tradutor/intérprete de
Libras e o professor bilíngue, cada qual com
formação e função diferenciadas no processo
educacional. Veja o perfil de cada um deles
no Quadro 1 a seguir:
2.2.4 Do direito à educação
A Libras deve ser ensinada como primeira língua
aos estudantes surdos, em escolas ou classes de
educação bilíngue ou em escolas inclusivas. No
caso desta última, alunos surdos têm o direito à
escolarização em contraturno, recebendo
atendimento educacional especializado (AEE),
com um momento especialmente destinado ao
aprendizado da Libras como primeira língua e sua
complementação curricular com a utilização de
equipamentos e tecnologias de informação.
2.3 Educação bilíngue para surdos
Sabemos que as crianças surdas têm direito à aquisição da
Língua Brasileira de Sinais como língua materna desde a
educação infantil, além de aprender a ler e escrever em
língua portuguesa, como segunda língua. Essa situação
linguística é denominada educação bilíngue para surdos.
Estudaremos o bilinguismo nacional e as principais
divergências entre o movimento surdo e o governo federal
em relação às diretrizes da oferta da educação bilíngue.
Além disso, refletiremos sobre as reivindicações do
movimento surdo e as principais mudanças exigidas para
que uma escola inclusiva se torne, de fato, bilíngue.
Esperamos que você compreenda e defenda os
fundamentos da escola bilíngue como pilares da inclusão
escolar para estudantes surdos.
Para os surdos brasileiros, o
bilinguismo significa utilizar a Libras
como forma preferencial na
comunicação e aprender a língua
portuguesa como segunda língua, em
sua modalidade oral e/ou escrita. Essa
situação é um fato muito recente, pois
só passou a ser reconhecida como
uma realidade social após a
oficialização da Lei de Libras.
3.1 Regras da comunicação
visual
Por isso, a primeira regra da comunicação
com surdos é a atenção ao contato visual, ou
seja, no momento da comunicação com uma
pessoa surda, olhe-a nos olhos, pois essa
atitude denota respeito e acolhimento da
cultura visual. Observe a seguir
comportamentos que não devem ser
adotados em relação às regras visuais na
comunicação.
2. Virar apenas o rosto para o surdo: a
língua de sinais utiliza as expressões
faciais e corporais como meio principal de
produzir significados na interação. Se você
direciona apenas o rosto para a pessoa
surda e mantém o corpo projetado em outra
direção, o efeito de sentido que essa
postura gera é que a comunicação não é
prazerosa, como se houvesse uma rejeição
da interação e desejo de que a conversa
seja rapidamente finalizada.
Interromper a comunicação: nunca interrompa uma
conversa em Libras, pois, quando interrompemos o
contato visual entre os sinalizadores (por exemplo, se
passamos na frente de uma pessoa que está sinalizando),
ocorre uma barreira comunicativa. O ideal é sempre ter a
área de visualização da conversa livre de “ruídos” visuais,
por exemplo, mantendo um círculo quando há mais de um
interlocutor. Também é necessário informar a pessoa surda
caso ocorra qualquer tipo de sinalização sonora que
interrompa a comunicação, como o som da campainha ou
um toque de telefone. É oportuno ainda sempre explicar o
que ocorreu, evitando que a pessoa surda pense que você
simplesmente abandonou a conversa sem motivo
plausível.
Observe agora as atitudes adequadas
para uma comunicação eficaz com a
pessoa surda:
1. Pessoas frente a frente: mantenha-se
diante do seu interlocutor, alinhando seu
corpo ao contato visual, rompendo as
barreiras na comunicação com a pessoa
surda e demonstrando interesse na
conversa em respeito ao contato visual.
Chamar atenção com polidez: caso seja necessário
chamar atenção de uma pessoa surda que está a
uma distância razoável, há duas formas corretas de
fazê-lo: toque na pessoa levemente ou acene com
as mãos, essa regra exige polidez. O lugar
adequado para se aproximar da pessoa por meio do
toque é o ombro; evite cutucá-la, puxá-la pelo braço
ou arrastá-la, também não é conveniente se dirigir
aos surdos gritando ou articulando exageradamente,
o que fatalmente será entendido como falta de
educação.
3.2 Alfabeto manual como recurso expressivo em Libras
Um dos mais importantes recursos da
comunicação visual é o alfabeto manual ou
alfabeto datilológico. É importante verifica
atentamente os detalhes na configuração de mão
de cada uma das letras do alfabeto, pois algumas
semelhanças podem ocasionar “ruídos” na
comunicação em caso de engano. Pessoas
costumam afirmar que estão aprendendo Libras
quando sabem sinalizar as letras do alfabeto
manual, mas isso é um equívoco, já que o alfabeto
é usado apenas em algumas situações.
Assim como a língua de sinais não é
universal, a comunidade surda de cada país
desenvolveu seu próprio alfabeto manual,
com configurações de mãos diferentes e com
variações no uso da soletração: utilizando
apenas uma mão, como é o caso do alfabeto
manual brasileiro (a mão a ser utilizada
depende da escolha de cada sinalizador), ou
com as duas mãos, chamados alfabetos
bimanuais, como é o caso daqueles do Reino
Unido, da Austrália e da África do Sul.
3.3 Numerais cardinais, ordinais e quantidades
4. A comunicação visual e a Libras como língua natural
A linguagem verbal é utilizada pelos seres humanos
organizados em comunidades de fala ou grupos
sociais; é um complexo sistema de comunicação
simbólica, que origina os diferentes idiomas falados
no mundo, transmitidos de geração para geração.
Por meio das línguas humanas, a transmissão de
informações, a expressão de conceitos para a
ciência, para as artes e tecnologias, além de outras
produções da humanidade, podem ser
compartilhadas.
4.1 Datilologia de nomes próprios e comuns
Na maior parte dos lugares do mundo, há
pelo menos uma língua de sinais usada
amplamente pela comunidade surda,
diferente da língua falada, sendo adotada
no mesmo território geográfico. O alfabeto
manual de cada país também é
independente da língua oral, embora seja
um recurso bastante produtivo para
realizar empréstimos linguísticos.
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Algumas regras fazem parte de uma experiência
cultural da comunidade surda. A pesquisadora e
linguista Tanya Felipe (2001) apresenta as
motivações que dão origem ao batismo visual:
1. Uma característica física da pessoa, como um
bigode, o corte de cabelo ou o jeito de se
comportar.
2. A profissão da pessoa, que pode ou não vir
combinada com uma característica pessoal.
O sinal será sempre marcado como um ícone, ou
seja, uma representação visual ou um atributo de
uma pessoa. Dalcin (2009) esclarece que há
regras envolvidas no batismo que caracterizam a
cultura surda, tendo em vista que ele é uma
espécie de ritual que legitima a inserção de um
indivíduo nessa comunidade. Assim, o sinal é
escolhido por um ou vários membros da
comunidade surda e, no momento em que a
pessoa é batizada com um nome visual, ela passa
a integrá-la.
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  • 3. 1.1 Terminologias e mitos A expressão deficiência auditiva é largamente usada na área da saúde e reflete uma visão médico-organicista, ou seja, voltada ao diagnóstico da deficiência auditiva, da etiologia da deficiência (causas) e da detecção do grau e tipo de perda, com o objetivo de ofertar tratamento específico para o quadro apresentado. Na relação entre médico e paciente surdo, são considerados fatores que podem auxiliar no bom funcionamento do aparelho auditivo para que não haja consequências no desenvolvimento da linguagem oral (fala).
  • 4. Nesse enfoque médico, o olhar lançado para a criança está voltado à sua orelha defeituosa, buscando-se referências clínicas da medicina para discutir diagnóstico, avaliação e tratamento, sem ser feita alusão a outros fatores e variáveis relacionados ao desenvolvimento da linguagem, como a Língua Brasileira de Sinais (Libras), por exemplo. Essa visão clínico-terapêutica está presente na educação de surdos por mais de um século, alimentando uma crença equivocada de que a linguagem corresponde somente à fala. Como decorrência de tal ponto de vista, acarretou- se uma interpretação fatalista de que a falta de audição impediria completamente o desenvolvimento da fala e que essa privação traria atrasos no desenvolvimento intelectual das pessoas surdas e em sua integração
  • 5. Essa noção também justifica a origem de uma terminologia preconceituosa que circula, muito frequentemente, na sociedade: surdo-mudo, na forma pejorativa “mudinho”. A expressão surdo- mudo está equivocada e não tem fundamento do ponto de vista científico. Seu uso é considerado inadequado e preconceituoso, porque revela desconhecimento sobre um fato: os surdos podem aprender a falar. Pessoas surdas têm voz, ou seja, não estão impedidas de produzir sons com seu aparelho fonador, o qual funciona perfeitamente.
  • 6. 1.1.2 Mitos sobre os surdos e a surdez
  • 7. 1.2 Concepções sobre os surdos e a surdez: o modelo clínico-terapêutico e o socioantropológico A história da surdez (deficiência) e dos surdos (sujeitos) está marcada por oposições. A maior e originária de todas elas são a oposição ouvinte/normal versus surdo/anormal, que justificou muitas arbitrariedades, como a proibição da língua de sinais, a imposição da fala como único modo de comunicação, a negação do contato de adulto surdo com criança surda nas escolas – isso para falar de apenas algumas formas de opressão. Muitos fatos podem não ser de conhecimento geral, já que não estão narrados em muitos livros de história, então falaremos um pouco sobre isso.
  • 8. Os Estudos Surdos no campo dos Estudos Culturais promovem a ruptura da discussão da surdez no contexto obrigatório da educação especial, das deficiências e das patologias de linguagem (SKLIAR, 1998). O modelo socioantropológico aproxima a experiência da surdez de maneira análoga à de outras minorias étnicas e linguísticas, como pessoas negras, povos indígenas, minorias linguísticas que sofrem exclusão cultural e assim por diante. Sintetizamos as principais oposições entre os dois modelos no Quadro 2, com base na reflexão de Skliar (1999) de mudar a ótica do problema invertendo sua lógica, ou seja, vamos problematizar a normalidade ouvinte, e não a alteridade surda.
  • 9. 1.3 Aspectos históricos da educação dos surdos
  • 10. 2. Políticas educacionais para surdos e Língua Brasileira de Sinais
  • 11. 2.1 Mitos sobre as línguas de sinais Alejandro Oviedo (1997), linguista e estudioso das línguas de sinais, explica que todas as línguas têm um nome para designá -las e diferenciá-las dos variados idiomas falados pelos povos do mundo. Assim também ocorre com as línguas de sinais, que são utilizadas pelos povos surdos em distintas regiões do planeta. Esse é o primeiro argumento que justifica se tratar de uma língua, e não de uma linguagem universal, que pode ser gesticulada sem regras internas em qualquer lugar do mundo. Assim como as línguas orais, as línguas de sinais recebem o nome do país em que vivem as comunidades surdas, como é o caso da Língua de Sinais Francesa (LSF), da Língua de Sinais Venezuelana (LSV), da Língua de Sinais Argentina (LSA) e assim por diante.
  • 12. A linguagem gestual está presente na comunicação de todos os grupos humanos, e não apenas entre indivíduos surdos. O que ocorre é que as línguas de sinais têm suas gramáticas estruturadas e sinalizadas no espaço, por isso são concebidas como línguas de modalidade visual e podem ser confundidas com gestos, o que, por sua vez, não se referem ao complexo sistema linguístico, como a Libras, que configura, de fato, uma língua. As línguas de sinais podem representar qualquer fato e não podem ser reduzidas a um sistema de gestos naturais ou mímica, que só expressam elementos concretos e transparentes da comunicação imediata cotidiana.
  • 13. 2.2 Libras na legislação No Decreto Federal n. 5.626/2005, há uma distinção conceitual pioneira entre surdez e surdo que contribui para a compreensão de que a experiência da surdez tem como consequência uma forma de comunicação diversa. Como se vê, os critérios utilizados para a identificação da pessoa surda são a cultura surda, a experiência visual e o uso da língua de sinais, o que legitima as reivindicações do movimento surdo e dos avanços do campo teórico dos Estudos Surdos. Para os pesquisadores surdos Perlin e Miranda (2003, p. 218), o ser surdo é a pessoa que tem identidade surda.
  • 14. A oficialização da Lei de Libras trouxe avanços nesse sentido. Embora o Decreto Federal não apresente um conceito claro e objetivo da Libras, a definição esclarece que se trata de um sistema linguístico com estrutura gramatical própria, ou seja, um idioma, uma língua natural e autônoma, totalmente independente da gramática do português falado. Há uma tendência equivocada entre as pessoas em julgar que a Libras seja uma “soletração” seguindo as regras do português. Veremos adiante um pouco mais sobre essa gramática visual da Libras
  • 15. 2.2.2 Da inclusão da Libras como disciplina O Decreto Federal orienta sobre a inclusão da Libras como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores e nos cursos de licenciatura e como disciplina optativa nos demais cursos de educação superior e na educação profissional de instituições de ensino públicas e privadas, como atesta o artigo 3º:
  • 16. 2.2.3 Dos profissionais bilíngues O Decreto Federal n. 5.626/2005 traz importantes diretrizes à formação dos profissionais que atuarão na educação de surdos, diferenciando três atores principais: o professor de Libras, o tradutor/intérprete de Libras e o professor bilíngue, cada qual com formação e função diferenciadas no processo educacional. Veja o perfil de cada um deles no Quadro 1 a seguir:
  • 17. 2.2.4 Do direito à educação A Libras deve ser ensinada como primeira língua aos estudantes surdos, em escolas ou classes de educação bilíngue ou em escolas inclusivas. No caso desta última, alunos surdos têm o direito à escolarização em contraturno, recebendo atendimento educacional especializado (AEE), com um momento especialmente destinado ao aprendizado da Libras como primeira língua e sua complementação curricular com a utilização de equipamentos e tecnologias de informação.
  • 18. 2.3 Educação bilíngue para surdos Sabemos que as crianças surdas têm direito à aquisição da Língua Brasileira de Sinais como língua materna desde a educação infantil, além de aprender a ler e escrever em língua portuguesa, como segunda língua. Essa situação linguística é denominada educação bilíngue para surdos. Estudaremos o bilinguismo nacional e as principais divergências entre o movimento surdo e o governo federal em relação às diretrizes da oferta da educação bilíngue. Além disso, refletiremos sobre as reivindicações do movimento surdo e as principais mudanças exigidas para que uma escola inclusiva se torne, de fato, bilíngue. Esperamos que você compreenda e defenda os fundamentos da escola bilíngue como pilares da inclusão escolar para estudantes surdos.
  • 19. Para os surdos brasileiros, o bilinguismo significa utilizar a Libras como forma preferencial na comunicação e aprender a língua portuguesa como segunda língua, em sua modalidade oral e/ou escrita. Essa situação é um fato muito recente, pois só passou a ser reconhecida como uma realidade social após a oficialização da Lei de Libras.
  • 20. 3.1 Regras da comunicação visual Por isso, a primeira regra da comunicação com surdos é a atenção ao contato visual, ou seja, no momento da comunicação com uma pessoa surda, olhe-a nos olhos, pois essa atitude denota respeito e acolhimento da cultura visual. Observe a seguir comportamentos que não devem ser adotados em relação às regras visuais na comunicação.
  • 21. 2. Virar apenas o rosto para o surdo: a língua de sinais utiliza as expressões faciais e corporais como meio principal de produzir significados na interação. Se você direciona apenas o rosto para a pessoa surda e mantém o corpo projetado em outra direção, o efeito de sentido que essa postura gera é que a comunicação não é prazerosa, como se houvesse uma rejeição da interação e desejo de que a conversa seja rapidamente finalizada.
  • 22. Interromper a comunicação: nunca interrompa uma conversa em Libras, pois, quando interrompemos o contato visual entre os sinalizadores (por exemplo, se passamos na frente de uma pessoa que está sinalizando), ocorre uma barreira comunicativa. O ideal é sempre ter a área de visualização da conversa livre de “ruídos” visuais, por exemplo, mantendo um círculo quando há mais de um interlocutor. Também é necessário informar a pessoa surda caso ocorra qualquer tipo de sinalização sonora que interrompa a comunicação, como o som da campainha ou um toque de telefone. É oportuno ainda sempre explicar o que ocorreu, evitando que a pessoa surda pense que você simplesmente abandonou a conversa sem motivo plausível.
  • 23. Observe agora as atitudes adequadas para uma comunicação eficaz com a pessoa surda: 1. Pessoas frente a frente: mantenha-se diante do seu interlocutor, alinhando seu corpo ao contato visual, rompendo as barreiras na comunicação com a pessoa surda e demonstrando interesse na conversa em respeito ao contato visual.
  • 24. Chamar atenção com polidez: caso seja necessário chamar atenção de uma pessoa surda que está a uma distância razoável, há duas formas corretas de fazê-lo: toque na pessoa levemente ou acene com as mãos, essa regra exige polidez. O lugar adequado para se aproximar da pessoa por meio do toque é o ombro; evite cutucá-la, puxá-la pelo braço ou arrastá-la, também não é conveniente se dirigir aos surdos gritando ou articulando exageradamente, o que fatalmente será entendido como falta de educação.
  • 25. 3.2 Alfabeto manual como recurso expressivo em Libras Um dos mais importantes recursos da comunicação visual é o alfabeto manual ou alfabeto datilológico. É importante verifica atentamente os detalhes na configuração de mão de cada uma das letras do alfabeto, pois algumas semelhanças podem ocasionar “ruídos” na comunicação em caso de engano. Pessoas costumam afirmar que estão aprendendo Libras quando sabem sinalizar as letras do alfabeto manual, mas isso é um equívoco, já que o alfabeto é usado apenas em algumas situações.
  • 26. Assim como a língua de sinais não é universal, a comunidade surda de cada país desenvolveu seu próprio alfabeto manual, com configurações de mãos diferentes e com variações no uso da soletração: utilizando apenas uma mão, como é o caso do alfabeto manual brasileiro (a mão a ser utilizada depende da escolha de cada sinalizador), ou com as duas mãos, chamados alfabetos bimanuais, como é o caso daqueles do Reino Unido, da Austrália e da África do Sul.
  • 27. 3.3 Numerais cardinais, ordinais e quantidades
  • 28. 4. A comunicação visual e a Libras como língua natural A linguagem verbal é utilizada pelos seres humanos organizados em comunidades de fala ou grupos sociais; é um complexo sistema de comunicação simbólica, que origina os diferentes idiomas falados no mundo, transmitidos de geração para geração. Por meio das línguas humanas, a transmissão de informações, a expressão de conceitos para a ciência, para as artes e tecnologias, além de outras produções da humanidade, podem ser compartilhadas.
  • 29. 4.1 Datilologia de nomes próprios e comuns Na maior parte dos lugares do mundo, há pelo menos uma língua de sinais usada amplamente pela comunidade surda, diferente da língua falada, sendo adotada no mesmo território geográfico. O alfabeto manual de cada país também é independente da língua oral, embora seja um recurso bastante produtivo para realizar empréstimos linguísticos.
  • 32. Algumas regras fazem parte de uma experiência cultural da comunidade surda. A pesquisadora e linguista Tanya Felipe (2001) apresenta as motivações que dão origem ao batismo visual: 1. Uma característica física da pessoa, como um bigode, o corte de cabelo ou o jeito de se comportar. 2. A profissão da pessoa, que pode ou não vir combinada com uma característica pessoal. O sinal será sempre marcado como um ícone, ou seja, uma representação visual ou um atributo de uma pessoa. Dalcin (2009) esclarece que há regras envolvidas no batismo que caracterizam a cultura surda, tendo em vista que ele é uma espécie de ritual que legitima a inserção de um indivíduo nessa comunidade. Assim, o sinal é escolhido por um ou vários membros da comunidade surda e, no momento em que a pessoa é batizada com um nome visual, ela passa a integrá-la.