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Cárie de radiação: uma perspectiva geral
Radiation caries: an overview
Caries por radiación: una perspectiva general
DOI: 10.54033/cadpedv22n4-255
Originals received: 1/24/2025
Acceptance for publication: 2/18/2025
Caio Augusto Freitas Martins
Mestrando em Ciências Aplicadas à Saúde
Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Endereço: Governador Valadares, Minas Gerais, Brasil
E-mail: [email protected]
Ananda Machado de Oliveira
Mestranda em Ciências Aplicadas à Saúde
Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Endereço: Governador Valadares, Minas Gerais, Brasil
E-mail: [email protected]
Fabio Alessandro Pieri
Doutor em Medicina Veterinária
Instituição: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Endereço: Governador Valadares, Minas Gerais, Brasil
E-mail: [email protected]
RESUMO
A cárie de radiação é uma complicação odontológica severa em pacientes sub-
metidos à radioterapia para o tratamento de neoplasias de cabeça e pescoço.
Caracteriza-se por uma rápida progressão das lesões, afetando principalmente
as superfícies cervicais e incisais dos dentes, com um padrão de destruição dis-
tinto da cárie convencional. Este estudo tem como objetivo revisar a literatura
sobre a etiologia, manifestações clínicas, epidemiologia, estratégias de preven-
ção e abordagens terapêuticas da cárie de radiação. A patogênese envolve al-
terações na quantidade e qualidade da saliva (hipossalivação e xerostomia), re-
dução do pH, alterações na microbiota oral e danos diretos aos tecidos dentários,
aumentando a suscetibilidade à desmineralização e à colonização por Strepto-
coccus mutans e Lactobacillus sp. A prevalência varia de 24% a 37% em paci-
entes irradiados, com maior incidência associada a doses superiores a 60 Gy e
ao tempo decorrido após o tratamento. As estratégias preventivas incluem ava-
liação odontológica prévia à radioterapia, remoção de focos infecciosos, aplica-
ção tópica de fluoretos, uso de agentes remineralizantes (CPP-ACP), fluoreto de
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diamina de prata, substitutos salivares e controle rigoroso da higiene oral. O tra-
tamento é desafiador devido à fragilidade estrutural dos dentes irradiados, sendo
o cimento de ionômero de vidro, especialmente o modificado por resina, prefe-
rido por sua adesão química e liberação de flúor. Em casos de lesões extensas,
procedimentos endodônticos são indicados para reduzir o risco de osteorradio-
necrose, evitando-se extrações sempre que possível. Conclui-se que o manejo
da cárie de radiação requer uma abordagem multidisciplinar, com foco na pre-
venção, diagnóstico precoce e intervenções restauradoras específicas, visando
à preservação da função dentária e à melhoria da qualidade de vida dos pacien-
tes oncológicos.
Palavras-chave: Cárie de Radiação. Radioterapia. Câncer de Cabeça e Pes-
coço. Efeitos Colaterais. Radiação.
ABSTRACT
Radiation caries is a severe dental complication in patients undergoing radiothe-
rapy for the treatment of head and neck neoplasms. It is characterized by a rapid
progression of lesions, primarily affecting the cervical and incisal surfaces of the
teeth, with a destruction pattern distinct from conventional caries. This study aims
to review the literature on the etiology, clinical manifestations, epidemiology, pre-
vention strategies, and therapeutic approaches of radiation caries. The pathoge-
nesis involves changes in the quantity and quality of saliva (hyposalivation and
xerostomia), pH reduction, alterations in the oral microbiota, and direct damage
to dental tissues, increasing susceptibility to demineralization and colonization by
Streptococcus mutans and Lactobacillus sp. The prevalence ranges from 24% to
37% in irradiated patients, with higher incidence associated with doses above 60
Gy and the time elapsed after treatment. Preventive strategies include pre-radio-
therapy dental assessment, removal of infectious foci, topical fluoride application,
use of remineralizing agents (CPP-ACP), silver diamine fluoride, saliva substitu-
tes, and strict oral hygiene control. Treatment is challenging due to the structural
fragility of irradiated teeth, with glass ionomer cement, particularly resin-modified,
preferred for its chemical adhesion and fluoride release. In cases of extensive
lesions, endodontic procedures are indicated to reduce the risk of osteoradione-
crosis, avoiding extractions whenever possible. It is concluded that the manage-
ment of radiation caries requires a multidisciplinary approach, focusing on pre-
vention, early diagnosis, and specific restorative interventions, aiming to preserve
dental function and improve the quality of life for cancer patients.
Keywords: Radiation Caries. Radiotherapy. Head and Neck Cancer. Side Ef-
fects. Radiation.
RESUMEN
La caries por radiación es una complicación dental severa en pacientes someti-
dos a radioterapia para el tratamiento de neoplasias de cabeza y cuello. Se ca-
racteriza por una rápida progresión de las lesiones, afectando principalmente las
superficies cervicales e incisales de los dientes, con un patrón de destrucción
distinto a la caries convencional. Este estudio tiene como objetivo revisar la lite-
ratura sobre la etiología, manifestaciones clínicas, epidemiología, estrategias de
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prevención y enfoques terapéuticos de la caries por radiación. La patogénesis
implica cambios en la cantidad y calidad de la saliva (hiposalivación y xerosto-
mía), reducción del pH, alteraciones en la microbiota oral y daño directo a los
tejidos dentales, aumentando la susceptibilidad a la desmineralización y la colo-
nización por Streptococcus mutans y Lactobacillus sp. La prevalencia varía entre
el 24% y el 37% en pacientes irradiados, con mayor incidencia asociada a dosis
superiores a 60 Gy y al tiempo transcurrido después del tratamiento. Las estra-
tegias preventivas incluyen evaluación dental previa a la radioterapia, elimina-
ción de focos infecciosos, aplicación tópica de fluoruro, uso de agentes remine-
ralizantes (CPP-ACP), fluoruro de diamina de plata, sustitutos salivales y un con-
trol riguroso de la higiene oral. El tratamiento es desafiante debido a la fragilidad
estructural de los dientes irradiados, siendo el cemento de ionómero de vidrio,
especialmente el modificado por resina, preferido por su adhesión química y li-
beración de flúor. En casos de lesiones extensas, se indican procedimientos en-
dodónticos para reducir el riesgo de osteorradionecrosis, evitando las extraccio-
nes siempre que sea posible. Se concluye que el manejo de la caries por radia-
ción requiere un enfoque multidisciplinario, con énfasis en la prevención, diag-
nóstico temprano e intervenciones restauradoras específicas, con el fin de pre-
servar la función dental y mejorar la calidad de vida de los pacientes oncológicos.
Palabras clave: Caries por Radiación. Radioterapia. Cáncer de Cabeza y Cu-
ello. Efectos Secundarios. Radiación.
1 INTRODUÇÃO
Recentemente, tem sido observado um aumento significativo na
incidência de neoplasias em regiões de cabeça e pescoço (Bispo, 2018). Os
tratamentos mais recomendados para essas condições incluem radioterapia,
cirurgia e quimioterapia, muitas vezes em combinação (Bispo, 2018). No entanto,
a radioterapia pode causar uma série de complicações, incluindo mucosite oral,
disfagia, candidíase, xerostomia, osteorradionecrose e cárie de radiação
(Freitas, 2011; Comodo, 2020). Portanto, é crucial que os pacientes submetidos
a esse tratamento recebam um acompanhamento odontológico sistemático para
minimizar esses efeitos (Freitas, 2011; Borges, 2019).
Um aumento significativo na incidência e mortalidade do câncer de
cabeça e pescoço tem sido observado globalmente, com uma maior prevalência
em homens (Santos; Colacite, 2022). No Brasil, o câncer de cabeça e pescoço
representou 2% das mortes em 2018, com uma maior prevalência em homens
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(Santos; Colacite, 2022). A doença é particularmente prevalente na laringe, com
um impacto significativo na fala e deglutição, destaca-se também a necessidade
de cuidados paliativos para esses pacientes, especialmente os idosos (Silva et
al., 2020).
Uma variedade de estudos explorou os aspectos epidemiológicos e de
tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Silva (2020) e Gonzaga (2022)
destacam a prevalência deste câncer em homens, com Silva (2020) também
observando uma alta incidência em indivíduos com mais de 50 anos, com baixos
níveis de educação e renda. Gonzaga (2022) enfatiza ainda mais o impacto das
toxicidades do tratamento na adesão do paciente e na qualidade de vida. Santos
(2021) fornece uma visão abrangente das taxas de sobrevivência de pacientes
com câncer de cabeça e pescoço localmente avançado, com uma taxa de
sobrevivência de 5 anos de 34,8%. Esses estudos coletivamente destacam a
necessidade de intervenções direcionadas para melhorar a detecção precoce,
reduzir as toxicidades e aumentar as taxas de sobrevivência nesta população de
pacientes.
Uma revisão da literatura sobre o impacto da radioterapia de cabeça e
pescoço no sistema estomatognático revela uma variedade de complicações,
incluindo xerostomia, disfagia, trismo, osteorradionecrose, mucosite, candidíase
e cárie por radiação (Sanson, 2023; Fonseca, 2022). Essas complicações podem
afetar significativamente a qualidade de vida do paciente, tornando crucial que
os dentistas estejam envolvidos em seu cuidado antes, durante e após o
tratamento (Sanson, 2023; Fonseca, 2022). A terapia também pode causar
alterações orgânicas e morfológicas na estrutura dental, o que pode complicar a
reabilitação dental (Faria, 2022).
O desenvolvimento de cáries por radiação, em particular, apresenta um
desafio significativo no tratamento e controle, com a necessidade de mais
pesquisas para estabelecer protocolos clínicos eficazes (Rodrigues, 2021). Uma
variedade de complicações bucais pode surgir em pacientes submetidos ao
tratamento do câncer de cabeça e pescoço, incluindo xerostomia, disfagia,
trismo, osteorradionecrose, mucosite e cárie de radiação (Sanson, 2023).
O paciente exposto a radioterapia possivelmente irá sofrer com a doença
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cárie, visto que o paciente terá uma queda em sua imunidade, junto a isso sua
saliva não mais desempenha sua função tampão, que por sua vez é o que regula
o pH da cavidade bucal, e dessa forma os componentes orgânicos e inorgânicos
dos dentes poderão ser alterados com mais facilidade, fazendo com que se
tornem mais suscetíveis à descalcificação (Rolim, 2011).
Diante disso, o presente trabalho teve como objetivo realizar uma revisão
de literatura, relacionada à cárie de radiação, contemplando desde suas
características morfológicas e bioquímicas, sua prevalência no mundo, a
importância da escolha de um tratamento adequado, bem como, as formas de
prevenção dela.
2 MATERIAL E MÉTODOS
Foi realizado uma revisão de literatura narrativa, buscou-se informações
abordando o tema cárie de radiação e seus efeitos colaterais. Foi realizada
busca de artigos científicos nas bases de dados “Pubmed” e “Scielo” utilizando
as palavras-chave “cárie”, “cárie de radiação”, “radiation caries”, “radioterapia”,
“radiotheraphy”, “câncer de cabeça e pescoço” e “head and neck cancer”,
isoladas ou em diversas combinações.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os trabalhos incluídos na presente revisão foram publicados no período
que se estabeleceu entre 1990 e 2025, sendo identificados 62 referências, sendo
elas, artigos científicos publicados em periódicos, texto nas áreas de oncologia
e odontologia, além de materiais produzidos por órgãos e instituições gestoras
de saúde.
Para a adequada compreensão sobre a cárie de radiação é necessário
inicialmente o estabelecimento, de forma contextualizada, de informações a res-
peito do tratamento do câncer de cabeça e pescoço e sobre a ação da doença
cárie em pacientes que não estão passando pelo processo de radioterapia para
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que fique evidenciada a diferença entre as duas formas de apresentação da do-
ença.
3.1 RADIOTERAPIA DE CABEÇA E PESCOÇO E SEUS EFEITOS COLATE-
RAIS NA CAVIDADE ORAL
Uma variedade de fatores, incluindo o uso de tabaco e álcool, maconha,
cigarros eletrônicos e exposições ocupacionais, podem contribuir para o desen-
volvimento de cânceres de cabeça e pescoço (Torres, 2020; Capelario, 2022).
Esses cânceres são comumente encontrados na cavidade oral, orofaringe, hipo-
faringe, laringe, nasofaringe, cavidade nasal, seios paranasais e glândulas sali-
vares (Ganzer, 2019). Mutações genéticas e alterações nas funções celulares
também estão associadas ao desenvolvimento de câncer oral (Krishna, 2015).
Apesar do aumento na prevalência desses cânceres, há uma necessidade de
maior conscientização e educação, especialmente em relação à prevenção e
detecção precoce (Ganzer, 2019). Uma abordagem personalizada para o trata-
mento do câncer é crucial, pois o diagnóstico precoce melhora significativamente
a sobrevivência do paciente (Flauzino, 2021). No entanto, o uso de quimioterapia
e radioterapia pode levar a complicações, como cardiotoxicidade (Flauzino,
2021), problemas bucais (Floriano, 2018) e mucosite (Sasada, 2015). Portanto,
diretrizes padronizadas de cuidados de enfermagem são necessárias para ga-
rantir a segurança do paciente e a qualidade do cuidado (Flauzino, 2021). Além
disso, o desenvolvimento de instrumentos confiáveis de coleta de dados para
pacientes com câncer em tratamento é essencial (Salvadori, 2008). Na terapêu-
tica de radiação geralmente utilizada na radioterapia convencional para câncer
de cabeça e pescoço a dose atingida é de um total de 64 Gray (Gy) a 70 Gy,
sendo doses entre 1,8 a 2,0 Gy por dia em 32 a 35 frações (sessões) (Antunes,
2018).
A radioterapia para o câncer de cabeça e pescoço pode resultar em várias
complicações bucais, incluindo xerostomia, osteorradionecrose, mucosite, can-
didíase oral, trismo, disgeusia e cárie por radiação (Coimbra, 2020; Oliveira,
2018; Favre, 2009). Essas complicações requerem monitoramento contínuo e
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uma abordagem multidisciplinar, com o dentista desempenhando um papel cru-
cial na prevenção e no manejo (Coimbra, 2020; Oliveira, 2018; Favre, 2009). A
complicação mais grave, osteorradionecrose, pode ocorrer devido à radioterapia
e requer atenção cuidadosa (Silva, 2022). Portanto, uma compreensão abran-
gente dessas complicações e seu manejo é essencial para o cuidado odontoló-
gico de pacientes submetidos à radioterapia para câncer de cabeça e pescoço.
3.2 CÁRIE DE RADIAÇÃO
A cárie de radiação é um efeito colateral que se desenvolve devido ao
tratamento radioterápico, e seu desenvolvimento possui características especi-
ais em relação a cárie convencional, fato que ficará evidenciado a seguir (Rolim,
2011):
3.2.1 Cárie convencional x cárie de radiação
A prevalência de cárie dentária, especialmente em crianças, é uma preo-
cupação significativa de saúde global, isso é agravado pela alta incidência de
doenças enteroparasitárias em países em desenvolvimento, onde a pobreza e a
falta de saneamento contribuem para sua disseminação (Santos, 2017). O im-
pacto de doenças crônicas nas famílias também é uma consideração importante,
com a asma em crianças sendo um exemplo especialmente relevante (Bosi,
2000). Esses estudos destacam a necessidade de estratégias abrangentes de
saúde pública para abordar essas questões interconectadas. Uma variedade de
fatores contribui para a cárie dentária, uma destruição localizada do tecido den-
tário causada por bactérias produtoras de ácido e carboidratos dietéticos (Braz,
2021). Embora o papel das bactérias seja significativo, a doença não é necessa-
riamente infecciosa ou transmissível (Sousa, 2009). O uso de produtos naturais
como própolis pode ser benéfico no tratamento de doenças periodontais (Braz,
2021), e alimentos funcionais, como frutas e chá, mostraram potencial na pre-
venção de cáries dentárias (Ferreira, 2021). Além disso, o acabamento e
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polimento adequados de restaurações dentárias podem melhorar suas qualida-
des estéticas e funcionais (Lima-Júnior, 2022).
A cárie por radiação, uma forma rápida e destrutiva de deterioração den-
tária, é uma complicação comum em pacientes que passaram por radioterapia
na região da cabeça e pescoço (Mendonça, 2020). Caracteriza-se por uma pre-
ferência pela região cervical dos dentes e pela presença de desgaste incisal ou
cuspidiano (Mendonça, 2020; Spezzia, 2021). O tratamento da cárie por radia-
ção é desafiador, e não há um protocolo bem definido, tornando importante a
participação dos dentistas na prevenção e manejo dessa condição (Rodrigues,
2021; Spezzia, 2021). A presença e envolvimento de um dentista durante todo o
processo de radioterapia pode ajudar a minimizar os efeitos da radiação nos te-
cidos bucais (Sanson, 2023).
3.2.2 Etiologia
Uma variedade de estudos explorou a etiologia e o manejo da cárie por
radiação, uma manifestação tardia da radioterapia para câncer de cabeça e pes-
coço. Spezzia (2021) e Rodrigues (2021) destacam a natureza multifatorial da
doença, que é influenciada por mudanças na composição e pH da saliva, levando
a um aumento de bactérias cariogênicas. Mendonça (2020) enfatiza a importân-
cia do tratamento odontológico preventivo e curativo antes e depois da radiote-
rapia, enquanto Bellé (2019) destaca os desafios da reabilitação oral pós-radio-
terapia. Esses estudos enfatizam coletivamente a necessidade de uma aborda-
gem multidisciplinar para abordar os fatores complexos que contribuem para a
cárie por radiação.
Vale salientar que a cárie de radiação segue sendo uma doença multifa-
torial, com destaque para fatores adicionais como a hiposalivação e a xerosto-
mia, que consistem na diminuição do fluxo salivar e na sensação subjetiva de
boca seca respectivamente (Freitas, 2011), e tais alterações são comumente
causadas por danos nas glândulas salivares, e estarão sempre relacionadas
com a cárie, pois a redução da capacidade de fluxo, alteração dos componentes
da saliva, queda no pH da saliva causarão um perda na capacidade da saliva
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lubrificar, limpar e tamponar o ambiente dental e isso trará como consequência
um maior aumento na formação do biofilme de Streptococcus mutans e Lacto-
bacillus sp., que são um dos responsáveis pelo surgimento das lesões cariosas
(Palmier, 2020 , Kielbassa, 2006).
Somado a esses fatores teremos também a dificuldade em realizar a higi-
enização oral adequada, pois muitos dos pacientes que passam pelo tratamento
radioterápico também possuem os quadros de mucosite, surgimento precoce de
lesões na mucosa oral (Freitas, 2011), trismo, que é a limitação da abertura de
boca, devido a uma fibrose muscular que ocorre em resposta a radiação (Oli-
veira, 2018) e a presença de dor nas regiões adjacentes ao dente. Deve-se evi-
denciar que esses efeitos colaterais somados ao quadro de disfagia, que é a
dificuldade em deglutir o alimento ingerido no trajeto da orofaringe até o estô-
mago (Cuenca, 2007), fazem com que o indivíduo tenha uma perda considerável
de peso, pois ele não consegue se alimentar corretamente, e por isso os pacien-
tes passam a ter uma dieta mais calórica e cariogênica, para tentarem equilibrar
essa perda. Ainda, pode-se destacar na composição desta série de fatores que
estão envolvidos no aumento da susceptibilidade às cáries, o fato de que os pa-
cientes irradiados também sofrem com a disgeusia, que é a perda do paladar
(OLIVEIRA, 2018), e devido a disso esses pacientes passam a consumir alimen-
tos mais ricos em açúcares, o que somado a dificuldade de higienização e ao
aumento do biofilme, causará um maior crescimento da população bacteriana,
que por consequência produzem mais ácidos provenientes da fermentação e as-
sim haverá o surgimento de lesões cariosas de forma mais abundante (Brennan,
2017, Hong, 2010, Palmier, 2020, Oliveira, 2011).
3.2.3 Epidemiologia
O estudo epidemiológico da prevalência da cárie de radiação é relativa-
mente prejudicado, visto que, existem poucos estudos relacionados ao tema.
Deng et al. (2015) já afirmavam tal, quando em seu estudo são relatados a exis-
tência de apenas quatro estudos sobre a prevalência da cárie de radiação em
pacientes que passaram por radioterapia e de nove estudos com pacientes que
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passaram por quimioradioterapia. Os resultados de Deng et al. (2015) foram de
que 24% dos pacientes que passaram pela radioterapia de cabeça e pescoço
tiveram seus dentes comprometidos pela cárie de radiação e no caso da quimi-
oradioterapia 21% desses pacientes também tiveram o mesmo problema. Em
sequência ele nos traz um estudo com 314 pacientes de câncer nasofaringeo,
nesse estudo o resultado obtido foi que ao serem analisados os seus dentes,
cerca de 16% tiveram comprometimento no primeiro ano, evoluindo para 36%
no terceiro ano, seguindo para 55% no quinto ano e por fim 74% dos pacientes
tiveram doenças relacionadas aos dentes no sétimo ano.
A prevalência de complicações orais agudas em pacientes com câncer submeti-
dos a tratamento antineoplásico foi de 34,9%, sendo a mucosite a mais comum
(Neves, 2022). Um estudo sobre avaliação odontológica prévia à radioterapia em
pacientes com câncer de cabeça e pescoço constatou que 76% necessitavam
de extração dentária, principalmente devido à exposição da raiz (Barros, 2022).
O bem-estar físico de pacientes com câncer de cabeça e pescoço durante a ra-
dioterapia foi significativamente afetado, destacando a necessidade de cuidados
abrangentes (Paula, 2015).
Já Moore et al. (2020), fizeram uma revisão sistemática com dados ainda
superiores, com trabalhos publicados no intervalo entre os anos de 1975 e 2019.
Nesse estudo 22 trabalhos foram incluídos, sendo três ensaios clínicos randomi-
zados ou quase randomizados, 19 estudos observacionais, e desses, sete eram
estudos retrospectivos. Os resultados obtidos por esse estudo se parecem ligei-
ramente com o anterior, apresentando 29% dos pacientes que passam pelo pro-
cesso de radioterapia apresentaram a carie de radiação. Moore et al. (2020),
acrescentam ainda que esse número aumenta para 37% após dois anos do fim
da terapia, e que ao mesmo tempo em que a dose radioterápica aumenta, a
chance do paciente desenvolver a cárie de radiação aumenta, chegando o per-
centual de acometidos a dobrar ao compararmos doses de 60 Gy e 70 Gy.
Somando os dados do estudo Moore et al. (2020) que afirmam que cerca
de 29% dos pacientes que passaram por radioterapia de cabeça e pescoço tive-
ram como efeito colateral o aparecimento da cárie de radiação, com os dados de
Bray et al. (2022) que afirmam que há o surgimento no mundo de 890.000 novos
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casos de câncer de cabeça e pescoço todo ano, e considerando que todos esses
pacientes de câncer de cabeça e pescoço venham passar pelo tratamento radi-
oterápico, estima-se que cerca de 258.100 novos casos de cárie de radiação
surgirão todos os anos no mundo.
3.2.3.1 Efeitos Microscópicos
Silva et al. (2022) fizeram um estudo utilizando 36 dentes permanentes
humanos, que foram extraídos de pacientes com quadro de doença periodontal
avançada, e que haviam concluído a radioterapia para tratamento de câncer de
cabeça e pescoço, sendo todos os pacientes submetidos a doses superiores a
50 Gy de radiação. Dos 36 dentes, 81% aparentavam ter passado pelo processo
de destruição dentaria causado pela cárie de radiação.
Os resultados obtidos por microscopia de luz polarizada foi que diferentes
zonas de dentina foram distinguidas em todos os espécimes, sendo elas, restos
de dentina amolecida sobre a superfície desmineralizada, zona translúcida e, em
alguns casos, tratos mortos de dentina também foram encontrados. Deposição
de dentina reativa foi encontrada adjacente a 22% das lesões de cáries cervicais,
e somado a isso, a microscopia de luz polarizada revelou um padrão triangular
de desmineralização em todas as cáries dentinárias coronais profundas, com a
base na superfície do dente e o ápice apontando para a polpa. A cárie radicular
incipiente apresentava formato em meia-lua com zona desmineralizada semicir-
cular e zona translúcida e, em cortes, a cárie incisal apareceu como uma desmi-
neralização triangular afetando a dentina exposta e com pouco envolvimento do
esmalte. A microscopia também identificou lesões de esmalte não cavitadas em
áreas de superfície lisa, macroscopicamente descritas como descolorações cas-
tanhas difusas (Silva, 2009).
Por fim o microscópio eletrônico de varredura (MEV) utilizando elétrons
retroespalhados (BSE) garantiu a visualização de uma dentina desmineralizada,
tendo como característica uma baixa densidade de elétrons, e as lesões obser-
vadas tinham como composição uma dentina desmineralizante com dentina
translúcida no limite profundo. A região translúcida foi identificada devido a sua
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densidade maior de elétrons e caracterizada por deposição mineral intratubular,
com o mineral da região intratubular sendo facilmente observado em maior am-
pliação. Essa microscopia confirmou também a presença de dentina reacionária,
presença da desmineralização na cárie incisal, padrão triangular de desminera-
lização nas lesões coronais e padrão de meia lua nas lesões da superfície radi-
cular, confirmando assim os dados da microscopia de luz polarizada. Tanto a
microscopia de luz polarizada quanto a MEV BSE identificaram fraturas nas re-
giões de dentina e esmalte, sendo observadas também formações de rachadu-
ras no esmalte, provavelmente por consequência do preparo da amostra (Silva,
2009).
3.2.3.2 Efeitos Macroscópicos
Um estudo de Palmier et al. (2017) com sessenta pacientes com câncer
de cabeça e pescoço, trouxe como resultado que as regiões tumorais mais fre-
quentes foram a orofaringe, língua e laringe, que juntos representaram cerca de
55% de toda a amostra e 93,3% dos pacientes já estavam em estados clínicos
avançados de progressão tumoral (estádios III / IV) quando diagnosticados. Os
tipos de radioterapia para o tratamento do câncer de cabeça e pescoço foram
radioterapia conformada tridimensional (60%), a radioterapia bidimensional con-
vencional (33,3%) e radioterapia modulada por intensidade (6,7%). As doses de
radiação pelas quais os pacientes passavam, variavam de 60 a 70 Gy, sendo
uma dose média de 68 Gy.
Foram avaliados 833 dentes, e desses, 814 estavam afetados por cárie
de radiação, sendo as lesões em estágio inicial caracterizadas pela presença da
cor marrom enegrecida, presença de rachaduras no esmalte, presença de des-
gaste incisal e/ou desgastes na região de cúspide e por fim a presença de cárie
cervical incipiente que poderia até levar a destruição dentária severa com ampu-
tação da coroa [24]. Dos 814 dentes afetados cárie de radiação, 320 (39,3%)
eram dentes anteriores inferiores, 205 (25,2%) eram dentes anteriores superio-
res, 130 (16%) eram pré-molares inferiores, 82 (10,1%) eram pré-molares
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superiores, 51 (6,3%) eram molares superiores e 45 (5,5%) eram molares inferi-
ores (Palmier, 2017).
Os resultados referentes a presença de lesões observadas a olho nu fo-
ram os seguintes: 501 (61,5%) dentes com descoloração acastanhada e/ou
preta; 491 (60,3%) dentes com trincas de esmalte; 415 (51%) dentes com lesões
cervico-incisais; 180 (22,1%) dentes com lesões cervicais; 179 (22%) dentes
com delaminação do esmalte; 123 (15,1%) dentes com amputação de coroa den-
tária; e 75 (9,2%) lesões incisais (Palmier, 2017).
Já em outro estudo Palmier et al. (2020) apresenta a informação de que
a evolução da cárie de radiação tem um caráter mais agressivo do que a da cárie
convencional.
3.2.4 Estratégias de prevenção
Pesquisas têm demonstrado que o uso de creme dental remineralizante
pode ser eficaz na prevenção da cárie por radiação, especialmente quando con-
tém fosfopéptido de caseína-fosfato de cálcio amorfo (CPP-ACP) (Dias, 2020).
Isso ocorre porque o CPP-ACP pode aumentar a biodisponibilidade de íons de
cálcio e fosfato, que ajudam a complementar a saliva e equilibrar o processo de
desmineralização e remineralização, especialmente nas regiões cervicais, pre-
venindo assim a cárie por radiação na área da raiz (Dias, 2020). No entanto, é
importante observar que o uso de creme dental com carvão ativado como agente
clareador pode ser prejudicial ao esmalte dental e pode levar à cárie (Costa,
2022). Além disso, o creme dental com flúor tem se mostrado eficaz na preven-
ção da cárie na infância, aumentando a capacidade de remineralização dos te-
cidos dentários (Costa, 2022). Portanto, o uso de creme dental remineralizante,
especialmente aqueles contendo CPP-ACP, pode ser benéfico na prevenção da
cárie por radiação.
Outra estratégia que pode ser utilizada é o emprego de vernizes fluoreta-
dos, cujo uso garante uma maior proteção da superfície dentaria. Estes vernizes
podem melhorar a profundidade do esmalte, protegendo-o contra o processo de
desmineralização causado pelo ácido produzido pelas bactérias causadoras da
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cárie de radiação. Outro produto que auxilia no combate da desmineralização é
o cimento de ionômero de vidro modificado por resina com verniz de cálcio, que
por sua vez também libera cálcio, o que causa um aumento no endurecimento e
na durabilidade do esmalte quando comparado com os vernizes convencionais
(Scotti, 2019).
Uma outra opção preventiva é o uso de fluoreto de diamina de prata, que
por sua vez, é um líquido transparente de uso profissional para a aplicação de
flúor, que traz a combinação dos efeitos antibacterianos da prata e os efeitos
remineralizantes do flúor (Yu, 2018).Para que se possa diminuir a chance do
paciente, que vai passar pelo tratamento radioterápico de cabeça e pescoço,
apresentar a cárie de radiação, as estratégias de condicionamento oral devem
começar no momento seguinte ao qual o paciente é diagnosticado com o câncer,
submetendo-o a um exame odontológico completo e a um tratamento conduzido
por um dentista capacitado. Nesta fase inicial, o dentista deve remover as cáries
que já existem no paciente e realizar novas restaurações, ajustar as restaura-
ções antigas, e realizar também, caso necessário, tratamentos endodônticos e
periodontais. Ainda, os dentes que apresentarem uma extensa perda óssea es-
trutural ou periodontal, fazendo com que esse elemento dentário não possa mais
ser recuperado, devem ser extraídos. Os pacientes devem também ser orienta-
dos de forma rigorosa sobre as formas adequadas de higiene oral. Pode-se in-
cluir a implementação da escovação atraumática com escovas de cerdas macias
pelo menos de duas a quatro vezes ao dia, realizar o uso do fio dental para a
limpeza interdental e fazer a suplementação de flúor com o uso de bandejas de
flúor ou aplicação tópica de flúor (Gupta, 2015).
Além da preocupação com os dentes, deve-se destacar que as glândulas
salivares, a hiposalivação e a xerostomia desempenham um papel importante no
surgimento das caries de radiação, assim como a saliva desempenha um papel
importante na prevenção (Aguiar, 2009). Dessa forma certos estudos apresen-
tam indicação de que poupar ou preservar as glândulas salivares, por meio de
sua estimulação por uso de agonistas muscarínicos colinérgicos, irá diminuir os
impactos na produção de saliva (Palmier, 2020). Porém, caso tais medidas não
venham a surtir efeitos, existem substitutos comerciais que melhoram a
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lubrificação oral, facilitando a higiene oral desses pacientes, e alguns estudos
relatam que polímeros usados como agentes espessantes de substitutos comer-
ciais da saliva podem inibir a desmineralização dentária, e isso por sua vez per-
mite uma queda nas chances do paciente desenvolver a cárie de radiação
(Hahnel, 2009).
Além da preocupação com os dentes, deve-se destacar que as glândulas
salivares, a hiposalivação e a xerostomia desempenham um papel importante no
surgimento das caries de radiação, assim como a saliva desempenha um papel
importante na prevenção (Aguiar, 2009). Dessa forma certos estudos apresen-
tam indicação de que poupar ou preservar as glândulas salivares, por meio de
sua estimulação por uso de agonistas muscarínicos colinérgicos, irá diminuir os
impactos na produção de saliva (Palmier, 2020). Porém, caso tais medidas não
venham a surtir efeitos, existem substitutos comerciais que melhoram a lubrifi-
cação oral, facilitando a higiene oral desses pacientes, e alguns estudos relatam
que polímeros usados como agentes espessantes de substitutos comerciais da
saliva podem inibir a desmineralização dentária, e isso por sua vez permite uma
queda nas chances do paciente desenvolver a cárie de radiação (Hahnel, 2009).
Durante e após o fim da radioterapia é indicado para o paciente que ele
frequente o consultório odontológico em intervalos de três meses para que ele
possa ser acompanhado de perto e, para caso seja necessária uma intervenção,
o dentista possa fazê-la de maneira precoce (Gupta, 2015).
Outro meio de prevenção é o uso de enxaguantes bucais com clorexidina
0,12% e o uso de gel fluoreto de sódio neutro a 1%, que podem auxiliar na pre-
venção da doença, ressaltando sempre que a clorexidina tem um papel ativo na
redução do índice de placa e dos níveis salivares de Streptococcus mutans du-
rante a radioterapia (Palmier, 2020). Devemos ter cautela ao receitar o uso de
clorexidina, pois seu uso contínuo pode provocar uma maior descamação da
mucosa oral, dessa forma, para o paciente que está sofrendo com um elevado
grau de mucosite o uso da clorexidina trará um aumento na dor do paciente
(Beech, 2014).
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3.2.5 Tratamento
Quando se fala em tratamento da carie de radiação, logo a ideia é a de
que ele é similar ao da cárie comum, porém apesar da execução técnica e alguns
sintomas clínicos serem bem parecidos existem desafios bem maiores. Entre
eles está o acesso limitado a boca do paciente devido ao trismo, rachaduras na
mucosa causadas pela hiposalivação e xerostomia e por fim o controle deficiente
de umidade, causado pela gengivite marginal. Além desses problemas sistêmi-
cos ainda existem as alterações nas características do esmalte e da dentina cau-
sadas pela radiação, tais quais as alterações na estrutura prismática do esmalte
e a desnaturação do colágeno presente na estrutura da dentina, alterações que
fazem com que a adesão dos materiais adesivos fique deficiente, e por isso é
comum ocorrer o desenvolvimento de cáries recorrentes ao redor das restaura-
ções de resina composta. Não obstante é necessário que o profissional tenha
conhecimento que para evitar a recorrência da doença é necessário que o ma-
terial restaurador a ser utilizado possua certas propriedades, sendo essas a re-
sistência a cáries recorrentes, adesão à estrutura do dente, durabilidade, estética
aceitável e facilidade de manuseio. É de comum conhecimento entre os odontó-
logos que ainda não existe um único material que possua todas essas caracte-
rísticas (Palmier, 2020, Pegoraro, 2014, Soares, 2010, Pioch, 1992, De Munck,
2010).
Já que o uso da resina composta é prejudicado pelo fato da deficiência de
adesão de materiais adesivos, o uso dos cimentos de ionômero de vidro (CIVs)
é uma opção. Apesar dos cimentos de ionômero de vidro possuírem limitação,
devido à falta de resistência, os procedimentos de colagem e adesão química
deste material são mais simples, além da liberação de flúor, característica do
ionômero de vidro, que ajuda na redução das cáries recorrentes (Pegoraro,
2014).
Uma terceira via como possível material restaurador é o ionômero de vidro
modificado por resina, que por sua vez tem como características uma melhor
integridade estrutural e marginal, taxas de cárie recorrentes semelhantes ao do
cimento ionômero de vidro e uma maior resistência à erosão ácida, e dessa
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forma tal material soma as características positivas da resina composta e do ci-
mento de ionômero de vidro, trazendo consigo maior sucesso no procedimento
final (Pegoraro, 2014, Palmier, 2020).
O estudo de Moor et al. (2011) nos traz como resultado uma menor pre-
valência de cáries recorrentes em pacientes que estão passando pelo tratamento
radioterápico e possuem lesões cariosas classe V, quando realizado o procedi-
mento restaurador com cimento de ionômero de vidro, apresentando menor in-
sucesso quando comparado à resina composta e essa diferença se apresentou
mais drástica quando o uso de flúor era baixo.
Outro detalhe que deve ser destacado, são os casos em que as lesões
cariosas se tornaram tão extensas que o envolvimento pulpar durante a restau-
ração se torna quase que inevitável. A radiação por vezes pode causar uma al-
teração na vascularização da polpa dentária e por isso o sucesso de uma en-
dodontia poderá ser comprometido, porém é preferível que se opte pelo trata-
mento endodôntico ao invés da exodontia, inclusive nos dentes considerados
condenados, pois esses dentes podem ser obturados e selados, controlando as-
sim os sintomas e a infecção, e essa é a conduta preconizada pois dessa forma
o risco de osteorradionecrose é minimizado (Beech, 2014, Rosenberg, 1990).
Outros procedimentos evitados em pacientes que passaram pela radiote-
rapia de cabeça e pescoço e sofrem com a hiposalivação e a xerostomia são os
empregos de próteses removíveis e fixas. Tal conduta deve ser tomada pelo fato
de que, no caso da prótese fixa as margens dessas restaurações protéticas são
vulneráveis a cáries recorrentes, e no caso das removíveis pelo do acúmulo
acentuado de placa, que neste caso é um dos principais motivos causadores da
doença cárie (Pegoraro, 2014). No caso de pacientes que possuem uma denti-
ção hígida, uma opção é o uso de restaurações indiretas simples, mas deve-se
manter as margens destas restaurações supragengivais e livre de sobrecon-
torno. Caso o uso de uma prótese removível seja inevitável, ou seja, quando há
a necessidade de se manter a função e a estética dos pacientes, deve-se fazer
um planejamento mais higiênico possível, além de informar e orientar o paciente
dos riscos do procedimento e de que sua colaboração é essencial para que haja
sucesso em sua recuperação. Deve-se também ter um cuidado adicional ao
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fornecer próteses totais a pacientes que foram submetidos a extrações múltiplas
no momento pré-radioterápico, devido à carga exercida sobre a prótese fixa, que
por sua vez será transmitida para os tecidos, existindo assim o risco de trauma-
tizar a região, e acabar causando a osteorradionecrose no paciente radioterá-
pico, visto que o paciente que passou pelo tratamento radioterápico tem uma
maior susceptibilidade de desenvolver a osteorradionecrose, e por conta disso o
paciente e sua prótese devem estar sempre aos cuidados do dentista (Pegoraro,
2014).
4 CONCLUSÃO
Conclui-se que a cárie de radiação é uma condição odontológica com-
plexa, representando um desafio tanto para os profissionais da saúde quanto
para os pacientes submetidos à radioterapia na região da cabeça e pescoço.
Com uma prevalência significativa, estimada em cerca de 29% dos pacientes
irradiados, essa condição está associada a uma série de fatores multifatoriais,
incluindo hipossalivação, mudanças na microbiota oral e fragilidade estrutural
dos tecidos dentários.
Os achados deste estudo possuem implicações tanto para a sociedade
quanto para a academia. Para a sociedade, a conscientização sobre a cárie de
radiação e seus impactos pode contribuir para uma melhor qualidade de vida dos
pacientes oncológicos, promovendo o acompanhamento odontológico preven-
tivo e o acesso a estratégias de controle da doença. Além disso, o desenvolvi-
mento de políticas públicas voltadas para a saúde bucal dos pacientes submeti-
dos à radioterapia pode mitigar os efeitos adversos desse tratamento, reduzindo
os custos associados às complicações odontológicas.
Os resultados do presente estudo reforçam a necessidade de pesquisas
mais aprofundadas sobre os mecanismos subjacentes à cárie de radiação, es-
pecialmente no que diz respeito às alterações microscópicas e macroscópicas
dos tecidos dentários irradiados. Além disso, novas investigações sobre materi-
ais restauradores com maior resistência ao ambiente oral alterado pela radiote-
rapia podem contribuir significativamente para a prática odontológica.
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Dentre as principais limitações deste estudo, destaca-se a escassez de
ensaios clínicos randomizados de longo prazo abordando a eficácia de diferen-
tes abordagens preventivas e terapêuticas. Além disso, a heterogeneidade dos
estudos disponíveis na literatura dificulta a padronização de protocolos clínicos.
Recomenda-se que futuros estudos explorem novas estratégias de pre-
venção e tratamento, incluindo o desenvolvimento de biomateriais específicos
para pacientes irradiados, o aprimoramento de protocolos de higiene oral e a
investigação de agentes remineralizantes mais eficazes. A colaboração interdis-
ciplinar entre oncologistas, radiologistas e cirurgiões-dentistas também deve ser
incentivada para otimizar o manejo dessa condição e garantir um atendimento
mais integral e personalizado para esses pacientes.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas
Gerais (FAPEMIG), à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES), à ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq).
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